Em situações de confronto, muitos profissionais acreditam que enxergam exatamente o que acontece ao redor. No entanto, como comenta Ernesto Kenji Igarashi, a realidade operacional mostra algo completamente diferente. Sob estresse extremo, o cérebro altera prioridades, reduz percepção periférica e passa a selecionar informações de maneira automática, muitas vezes distorcendo o cenário real.
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Por que o cérebro reduz sua capacidade visual sob estresse?
Quando o organismo percebe risco iminente, o corpo ativa automaticamente mecanismos de sobrevivência. A adrenalina aumenta a frequência cardíaca, acelera a respiração e direciona energia para respostas imediatas. Segundo Ernesto Kenji Igarashi, esse processo melhora a capacidade de reação física, mas reduz a qualidade da percepção racional e visual. Além disso, o excesso de ativação fisiológica compromete a capacidade de analisar detalhes do ambiente com clareza e aumenta a tendência a respostas impulsivas. Em cenários de combate, esse efeito pode alterar significativamente a forma como o operador interpreta ameaças e toma decisões.
Um dos efeitos mais conhecidos é a chamada visão em túnel. Sob alta tensão, o cérebro concentra atenção em um ponto específico considerado prioritário, diminuindo drasticamente a percepção periférica. Na prática, isso significa que o operador pode focar completamente em um único estímulo e ignorar movimentações importantes ao redor. Esse estreitamento visual reduz a capacidade de leitura situacional e dificulta a identificação de ameaças secundárias durante confrontos. Quanto maior o nível de estresse, maior tende a ser a limitação da percepção ambiental.
Ernesto Kenji Igarashi explica que esse fenômeno ocorre porque o cérebro tenta reduzir o excesso de informação para acelerar decisões. Em vez de analisar todo o ambiente de forma ampla, ele seleciona aquilo que parece mais urgente. O problema é que essa seleção nem sempre é precisa. Muitas vezes, o foco visual é direcionado para o estímulo mais chamativo, e não necessariamente para a ameaça mais perigosa. Movimentos bruscos, ruídos intensos ou ações emocionalmente impactantes podem desviar a atenção do operador e comprometer sua capacidade de interpretar corretamente o cenário. Por isso, treinamentos modernos trabalham justamente o controle cognitivo e visual sob pressão elevada.

Como o operador escolhe o alvo errado durante um confronto?
A escolha incorreta de alvo normalmente não acontece por falta de coragem ou ausência de treinamento. Em muitos casos, ela ocorre porque o cérebro interpreta rapidamente qual elemento parece representar maior ameaça imediata, mesmo quando essa interpretação está equivocada.
Como destaca Ernesto Kenji Igarashi, o movimento é um dos principais gatilhos de atenção visual. O olho humano tende a focar automaticamente no que se move primeiro ou mais rapidamente. Isso faz com que operadores priorizem estímulos visuais intensos, enquanto ameaças mais discretas permanecem fora do foco principal de atenção.
Como treinamentos modernos reduzem falhas de percepção?
Os treinamentos mais avançados da atualidade deixaram de focar apenas em precisão mecânica de tiro e passaram a incluir condicionamento cognitivo e visual. O objetivo não é apenas ensinar o operador a disparar corretamente, mas treinar o cérebro para interpretar ambientes complexos sob pressão.
Uma das técnicas utilizadas envolve exposição controlada ao estresse. Operadores realizam exercícios com pressão psicológica, ruído, movimentação e tomada rápida de decisão para acostumar o cérebro a processar informações mesmo em estado de alta ativação emocional. Conforme Ernesto Kenji Igarashi, um dos coordenadores da segurança do Papa Francisco, em julho de 2013, isso reduz o impacto da adrenalina durante situações reais.
Outro ponto importante é o treinamento de escaneamento visual. Em vez de fixar atenção apenas em um alvo, operadores aprendem a manter uma leitura ampla do ambiente, identificando múltiplos pontos de risco simultaneamente. Esse tipo de prática fortalece percepção periférica e reduz tendência de visão em túnel.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez





