Produzido exclusivamente com Sangiovese cultivada no território de Montalcino, o Brunello ganhou projeção internacional ao longo do século XX e segue regras de envelhecimento que ajudam a explicar a relação da cidade com o tempo e o vinho
No alto de uma colina ao sul de Siena, Montalcino construiu parte importante de sua projeção internacional em torno do vinho. O Brunello di Montalcino é produzido exclusivamente com Sangiovese, variedade tradicionalmente chamada de Brunello nessa área, e só pode ser elaborado dentro dos limites históricos do município.
Um dos capítulos decisivos dessa história está ligado à família Biondi-Santi. Depois das experiências realizadas por Clemente Santi e Ferruccio Biondi Santi no século XIX, a safra de 1888 é reconhecida pela própria propriedade como o primeiro Brunello di Montalcino de sua história. A denominação seria reconhecida como DOC em 1966 e, em 1980, tornou-se a primeira da Itália a alcançar a classificação DOCG.
Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, inclui Montalcino nos roteiros pela Toscana porque a visita às cantinas permite observar como território, produção e envelhecimento se encontram por trás de um vinho que levou décadas para conquistar o mercado internacional.
Um vinho que só chega ao mercado anos depois da colheita
As regras do Brunello ajudam a explicar por que o tempo ocupa um papel tão importante na produção. O vinho não pode ser comercializado antes de 1º de janeiro do quinto ano contado a partir da safra e deve permanecer pelo menos dois anos em recipientes de carvalho, além de passar por no mínimo quatro meses de afinamento em garrafa. Para a versão Riserva, a comercialização ocorre um ano mais tarde e o período mínimo em garrafa sobe para seis meses.
Esse envelhecimento prolongado também está relacionado à capacidade de guarda pela qual o Brunello se tornou conhecido. O Consorzio del Vino Brunello di Montalcino destaca que a evolução pode se estender por décadas, dependendo da safra e das condições de armazenamento.
Conhecer uma cantina permite acompanhar justamente aquilo que a garrafa pronta não mostra: os espaços de produção, os diferentes períodos de amadurecimento e as escolhas feitas antes que o vinho possa chegar ao mercado.
Por que a Benarrivati inclui as cantinas no roteiro
Para Antonella, a passagem por Montalcino ganha mais sentido quando a degustação vem acompanhada da leitura do território e do processo de produção.
“Montalcino fica mais interessante quando a família entende que o Brunello não começa na taça. Existe a vinha, existe a escolha da safra e existe um tempo de envelhecimento que não pode ser apressado. Quando a visita à cantina mostra esse processo, a degustação passa a contar também a história do lugar”, explica Antonella Giancoli.
Nos roteiros da Benarrivati, a escolha da propriedade pode variar conforme o perfil de quem viaja e o tipo de visita disponível. O objetivo não é tratar todas as cantinas de Montalcino como iguais, mas mostrar como diferentes produtores trabalham dentro das mesmas regras da denominação e imprimem suas próprias interpretações ao Sangiovese.
Uma cidade cujo território está ligado ao vinho
A relação entre Montalcino e o Brunello não se limita às adegas. Vinhedos ocupam diferentes altitudes e exposições ao redor do núcleo histórico, e as variações de solo e microclima dentro do próprio município influenciam o desenvolvimento das uvas.
A paisagem também muda ao longo do ano. O ciclo da vinha passa da brotação da primavera ao crescimento do verão e à vindima, geralmente concentrada entre o fim de setembro e outubro, embora as datas variem de acordo com a safra e as condições climáticas.
Nos roteiros da Benarrivati, Montalcino acrescenta à Toscana um capítulo em que a história do território pode ser lida também através da produção agrícola. Depois das cidades medievais, das obras de arte e das paisagens rurais da região, as cantinas mostram como uma variedade cultivada dentro dos limites de um único município se tornou a base de um vinho conhecido muito além da Itália.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.





