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Por que a recuperação pode ser mais lenta depois dos 60? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Yuri Silva PortelaYuri Silva Portela

Depois dos 60, o fim de uma doença nem sempre representa o retorno imediato às condições anteriores de saúde, comenta o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão. Mesmo após uma infecção ser controlada, uma cirurgia transcorrer bem ou uma internação chegar ao fim, podem permanecer cansaço, fraqueza, perda de disposição e dificuldade para retomar atividades que antes faziam parte da rotina.

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O que muda na capacidade de recuperação do organismo? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela

Ao longo da vida, o organismo passa por alterações fisiológicas que podem influenciar sua resposta a doenças. A quantidade e a qualidade da massa muscular podem diminuir, enquanto sistemas responsáveis por manter o equilíbrio interno também passam por mudanças. Isso não significa que toda pessoa acima dos 60 anos terá recuperação difícil, mas ajuda a explicar por que a resposta a uma doença pode ser diferente daquela observada décadas antes. Nesse cenário, a condição geral de saúde pode influenciar tanto a intensidade dos efeitos quanto o tempo necessário para retomar a rotina.

Outro conceito importante é o de reserva funcional. De maneira simplificada, ela representa a capacidade que diferentes sistemas do organismo possuem para responder a uma exigência adicional. Uma doença aguda aumenta essa demanda. Quando existe menor reserva, o corpo pode precisar de um período maior para retornar ao funcionamento habitual, sobretudo se a pessoa já apresentava alguma fragilidade antes do episódio. Por isso, situações semelhantes podem provocar impactos muito diferentes conforme as condições físicas existentes antes do adoecimento.

Para o Doutor Yuri Silva Portela, a condição existente antes do adoecimento ajuda a compreender o processo posterior. Dois idosos da mesma idade podem enfrentar a mesma doença e apresentar trajetórias bastante distintas, porque nível de atividade física, funcionalidade, alimentação, doenças preexistentes e outros fatores também interferem na recuperação. Observar essas diferenças permite compreender por que a idade cronológica, sozinha, não determina a capacidade de recuperação de uma pessoa.

Por que alguns dias parados podem fazer tanta diferença?

Durante uma doença, é comum permanecer mais tempo sentado ou deitado. Quando existe internação, essa redução de movimento pode ser ainda mais acentuada. Atividades simples que faziam parte do cotidiano, como caminhar pela casa, subir escadas ou preparar uma refeição, deixam temporariamente de acontecer. Com isso, o organismo recebe menos estímulos para preservar força e condicionamento. Quanto mais prolongado for esse período de inatividade, maior pode ser o desafio para recuperar o ritmo anterior.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

A perda de capacidade física pode criar um ciclo difícil. Depois da doença, a pessoa se sente mais fraca e passa a movimentar-se menos. Ao reduzir ainda mais a atividade, pode encontrar maior dificuldade para recuperar força e resistência. Uma tarefa que antes parecia simples começa a provocar cansaço, aumentando a tendência de evitá-la. Essa redução progressiva das atividades pode fazer com que a recuperação se estenda para além do período em que a doença esteve ativa.

Por essa razão, o Doutor Yuri Silva Portela considera importante observar não apenas se a doença foi controlada, mas também o que aconteceu com a rotina. Voltar para casa depois de uma internação, por exemplo, não significa necessariamente retornar imediatamente ao nível de independência existente antes dela. A capacidade de caminhar, cuidar de si e retomar tarefas habituais também ajuda a mostrar como o organismo está respondendo após o episódio.

A alimentação também interfere nesse processo?

Durante episódios de doença, o apetite pode diminuir. Náuseas, alterações no paladar, dificuldade para mastigar ou engolir, desconfortos e até mudanças na rotina podem reduzir a quantidade de alimentos consumidos. Dependendo da situação, isso acontece justamente em um período no qual o organismo precisa de recursos para sustentar sua recuperação. Quando essa redução se prolonga, recuperar energia e capacidade física pode se tornar ainda mais difícil, especialmente na terceira idade.

O Doutor Yuri Silva Portela destaca que a questão merece atenção especial quando existe perda involuntária de peso ou redução importante da ingestão alimentar. Massa corporal perdida durante uma doença não corresponde necessariamente apenas à gordura. A musculatura também pode ser afetada, o que pode contribuir para fraqueza e maior dificuldade de retomar atividades físicas e cotidianas. Por esse motivo, acompanhar mudanças no peso, no apetite e na disposição ajuda a perceber obstáculos que podem estar retardando a recuperação.

Roman Valetsky