Pesquisa do Paraná Pesquisas de junho de 2026 confirma o ex-prefeito na frente, mas campo fragmentado e ascensão de Garotinho complicam o caminho até outubro.
A corrida pelo Palácio Guanabara em 2026 tem um líder claro nas pesquisas, mas está longe de ter um resultado definido. Eduardo Paes, que renunciou à prefeitura do Rio de Janeiro em março para disputar o governo do estado, encabeça todos os levantamentos divulgados em junho. O Paraná Pesquisas ouviu 1.680 eleitores entre 1º e 3 de junho e os dados mostram Paes à frente no primeiro e no segundo turno, conforme publicou a Gazeta do Povo (gazetadopovo.com.br). Mas o campo político fluminense é historicamente volátil e cheio de surpresas, e a fragmentação entre os demais candidatos cria um cenário em que a vantagem pode encolher ou crescer dependendo de como as convenções partidárias, entre julho e agosto, vão redesenhar as coligações. O que os eleitores precisam entender agora é quem são os candidatos reais, o que cada um defende e por que o Rio dificilmente decide em primeiro turno.
Paes e a estratégia de quem sai na frente
Eduardo Paes deixou a prefeitura do Rio em março de 2026, sendo substituído pelo vice Eduardo Cavaliere, de acordo com o G1 (g1.globo.com). Ao assumir a pré-candidatura ao governo, Paes carrega um conjunto de realizações concretas da gestão municipal que usa como base do discurso: obras de mobilidade, revitalização de áreas da cidade, gestão fiscal equilibrada e uma imagem de administrador eficiente construída ao longo de dois mandatos como prefeito. Sua aposta é transformar esse capital político municipal em votos estaduais, algo que historicamente não é automático, pois o eleitorado do interior fluminense e das periferias da capital nem sempre reconhece as realizações de uma gestão urbana centrada na zona sul e no centro do Rio.
A estratégia de Paes passa por ampliar a presença em municípios como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, onde o eleitorado é volumoso e onde nomes do campo bolsonarista e do centro-direita têm base consolidada. Segundo análise do portal Agenda do Poder, o ex-prefeito lidera, mas não parece encaminhado para uma vitória em primeiro turno, o que abre espaço para que o segundo turno se torne um jogo diferente do esperado. A aprovação da gestão de Cláudio Castro, que saiu do governo, caiu de 53% em outubro de 2025 para 35% em levantamento da Genial/Quaest de abril de 2026, segundo a Gazeta do Povo, o que enfraquece a herança do campo conservador, mas não elimina seus candidatos.
Douglas Ruas, Garotinho e os outros nomes que animam o segundo turno
Douglas Ruas, presidente da Alerj e pré-candidato pelo PL, parte com a estrutura do partido de Bolsonaro e com o apoio de uma base legislativa organizada. Filho do prefeito de São Gonçalo, Ruas conhece a política do interior e tem apelo junto ao eleitorado conservador que representa parcela significativa do estado. Sua posição na Alerj, que conduziu a eleição indireta para o governo temporário, lhe dá visibilidade institucional, mas também o expõe a críticas sobre o uso de uma posição pública em benefício eleitoral. A candidatura ainda precisa se firmar fora da bolha político-partidária para ter apelo popular mais amplo.
Anthony Garotinho, ex-governador pelo Republicanos, é a surpresa que mais preocupa os demais candidatos segundo analistas. O portal Agenda do Poder, em análise publicada em junho, aponta que Garotinho vem apresentando regularidade e disciplina de campanha nos meses recentes, com capacidade de ocupar espaços deixados vagos por adversários menos ativos. Sua base está nas regiões periféricas da cidade do Rio e em municípios do interior com histórico de voto em políticas assistenciais. Embora não apareça na liderança das pesquisas, sua presença no segundo turno não pode ser descartada. Washington Reis (MDB) e Wilson Witzel (sem partido) completam um campo fragmentado que dificulta previsões seguras antes das convenções.
O que o eleitor fluminense deve observar até as convenções
Entre junho e agosto, antes das convenções, o eleitor fluminense terá acesso a novas pesquisas, posicionamentos públicos dos candidatos e, eventualmente, alianças que vão mudar o peso de cada candidatura. O TSE (tse.jus.br) acompanha o calendário eleitoral e publica os prazos oficiais para filiação, convenções e início da propaganda eleitoral. O início do horário gratuito está previsto para 16 de agosto, data em que o cenário ficará mais definido e o eleitor poderá comparar propostas com mais clareza.
Para quem vive no estado do Rio fora da capital, a escolha do próximo governador tem impacto direto em investimentos em rodovias, saúde regionalizada, segurança nas fronteiras municipais e qualidade das escolas estaduais. Esses temas raramente dominam a cobertura eleitoral centrada no Rio cidade, mas são determinantes para a vida de milhões de fluminenses. Acompanhar os debates, exigir propostas concretas para o interior e pressionar os candidatos por compromissos regionais é o que transforma uma eleição estadual em algo mais do que uma disputa pela capital.
Fontes: Gazeta do Povo (gazetadopovo.com.br), G1 (g1.globo.com), Agenda do Poder (agendadopoder.com.br), TSE (tse.jus.br)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez





