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Decomposição termomagnética: como funciona o processo que transforma o tratamento de rejeitos?

Marcello José AbbudMarcello José Abbud

Entre os principais desafios da gestão de resíduos sólidos urbanos está o destino dos rejeitos, e é nesse ponto que Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, concentra atenção especial ao acompanhar o desenvolvimento da decomposição termomagnética. A tecnologia surge como resposta a uma lacuna histórica do setor: o que fazer com a fração do lixo que não pode ser reciclada nem compostada e que, até hoje, segue majoritariamente para aterros sanitários.

O princípio do processo combina a aplicação de temperaturas controladas com campos magnéticos que atuam sobre a estrutura molecular dos materiais. O resultado é a decomposição acelerada dos resíduos em condições monitoradas, com redução drástica de volume e geração de subprodutos passíveis de aproveitamento industrial ou energético.

Em que a decomposição termomagnética se diferencia da incineração?

A comparação com a incineração é inevitável, mas as duas rotas tecnológicas operam sob lógicas distintas. A incineração tradicional promove a queima direta dos resíduos com oxigênio abundante, exigindo sistemas robustos de filtragem para controlar a emissão de poluentes atmosféricos. O processo termomagnético, por sua vez, trabalha em ambiente controlado, com menor demanda de oxigênio e emissões significativamente reduzidas.

De acordo com análise de Marcello José Abbud, a diferença central está no controle do processo: enquanto a queima convencional libera grande parte da energia de forma abrupta, a decomposição termomagnética conduz à transformação dos materiais de maneira gradual, o que favorece tanto a segurança operacional quanto o aproveitamento dos subprodutos gerados ao final do ciclo.

O potencial de redução de volume e o alívio sobre os aterros sanitários

Os aterros sanitários brasileiros enfrentam um problema estrutural de esgotamento de capacidade. Grandes regiões metropolitanas já operam com vida útil reduzida em suas instalações de destinação final, e a abertura de novas áreas esbarra em restrições ambientais, resistência das comunidades vizinhas e custos crescentes de licenciamento. Reduzir o volume de rejeitos enviados ao aterramento tornou-se, portanto, uma necessidade operacional e não apenas uma aspiração ambiental.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Sob essa perspectiva, Marcello José Abbud examina o impacto potencial das usinas termomagnéticas sobre a longevidade dos aterros existentes. Ao processar a fração de rejeitos e reduzir seu volume em percentuais expressivos, a tecnologia prolonga a vida útil das instalações de destinação final e adia investimentos bilionários em novas áreas de aterramento.

Subprodutos do processo e as possibilidades de valorização

O material resultante da decomposição termomagnética não é simplesmente descartado. Dependendo da composição dos resíduos processados, os subprodutos podem ser direcionados para aplicações na construção civil, na indústria cerâmica ou na geração de energia, inserindo o processo na lógica da economia circular. A transformação do rejeito em insumo fecha um ciclo que o modelo tradicional de aterramento mantém permanentemente aberto.

Vale considerar que a viabilidade comercial dos subprodutos depende de caracterização técnica rigorosa e de conformidade com as normas aplicáveis a cada setor de destino. Conforme expõe Marcello José Abbud, a estruturação de mercados consumidores para esses materiais é parte indissociável do modelo de negócio das usinas termomagnéticas e exige articulação prévia com as cadeias industriais regionais.

Caminhos para a consolidação da tecnologia no Brasil

Toda tecnologia emergente percorre um trajeto entre a validação técnica e a adoção em escala. No caso da decomposição termomagnética, os próximos passos passam pela operação de unidades de referência em municípios brasileiros, pela consolidação do arcabouço regulatório aplicável e pela formação de equipes técnicas capacitadas para operar as instalações.

Em linha com o que expõe Marcello José Abbud, o Brasil reúne condições favoráveis para a difusão da tecnologia: alta geração de rejeitos, pressão regulatória pelo fim dos lixões e demanda crescente por soluções que aliem desempenho ambiental e viabilidade econômica. A combinação desses fatores cria o ambiente propício para que as usinas termomagnéticas ganhem espaço na infraestrutura ambiental do país.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Diego Velázquez