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Ambientes integrados exigem planejamento mais cuidadoso

Daugliesi Giacomasi SouzaDaugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, menciona que boa parte dos pedidos de reforma que chegam depois de uma integração malfeita envolve corrigir exatamente esses pontos: exaustão insuficiente, acústica ruim e falta de qualquer delimitação entre as áreas. Fotos de ambientes integrados costumam vender uma promessa simples: mais luz, mais espaço e mais convivência entre cozinha, sala e varanda. 

O que essas imagens raramente mostram é o que acontece depois que a parede sai e o cheiro do almoço, o barulho da liquidificadora e a bagunça da pia passam a fazer parte da sala de visitas. Sem um planejamento específico para essa integração, o resultado tende a decepcionar quem só olhou para a estética. Muitos desses ajustes poderiam ter sido evitados com um planejamento mais detalhado ainda na fase de projeto.

A estética do ambiente aberto esconde desafios técnicos

Derrubar uma parede parece, à primeira vista, apenas uma decisão de layout. Na prática, envolve cálculo estrutural, redistribuição de instalações elétricas e hidráulicas e, principalmente, a revisão de como cada sistema da casa vai se comportar num espaço maior e sem barreiras. Um projeto de integração malfeito costuma aparecer meses depois da obra pronta, quando o cheiro de fritura já impregnou o estofado da sala.

Daugliesi Giacomasi Souza esclarece que o projeto de integração precisa nascer junto com o projeto elétrico e hidráulico, nunca depois, porque mudar a posição de um ponto de exaustão ou de um dreno de ar-condicionado fica muito mais caro quando o espaço já está pronto. Revisar esses pontos na planta, antes de qualquer execução, evita retrabalho e reduz o custo total da obra.

Exaustão mal dimensionada compromete todo o espaço integrado

Numa cozinha fechada, o cheiro e a fumaça ficam contidos até a porta abrir. Num ambiente integrado, eles se espalham imediatamente pela sala inteira, o que torna a coifa ou o exaustor peças centrais do projeto, não um detalhe técnico a resolver por último. Dimensionar o equipamento pela vazão de ar e não apenas pelo tamanho do fogão evita que o cheiro volte a se espalhar poucos meses depois da instalação.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza demonstra, em projetos que acompanha, que uma boa exaustão somada a janelas bem posicionadas para ventilação cruzada reduz consideravelmente a necessidade de depender só do equipamento mecânico. Um conjunto de soluções assim costuma pesar mais no resultado final do que qualquer escolha estética isolada, justamente por atuar todos os dias, em silêncio.

Ruído se espalha sem paredes para conter o som

Liquidificador, batedeira e conversa da cozinha chegam à sala sem qualquer barreira física, o que muda a forma como o ambiente precisa ser tratado do ponto de vista acústico. Tapetes, cortinas pesadas e estofados absorvem parte dessa reverberação, enquanto pisos frios e paredes lisas amplificam o som e deixam o ambiente mais cansativo ao longo do dia.

Daugliesi Giacomasi Souza expõe que a escolha de eletrodomésticos com selo de baixo ruído, somada a acabamentos que absorvem som, faz diferença perceptível em casas onde a cozinha permanece em uso durante boa parte da rotina familiar. Pequenos ajustes de acabamento, feitos ainda na fase de projeto, evitam a necessidade de reformas acústicas depois que a família já está instalada.

Zoneamento visual organiza o espaço sem levantar paredes

Sem paredes, a organização passa a depender de outros recursos para indicar onde uma função termina e outra começa. Um sofá posicionado de costas para a mesa de jantar, uma estante vazada ou até uma mudança de piso cumprem esse papel, criando limites visuais que orientam a circulação sem fechar o espaço fisicamente.

Marcar esses limites evita a sensação de bagunça generalizada, comum em ambientes integrados sem qualquer critério de zoneamento. Daugliesi Giacomasi Souza elucida que esses limites funcionam melhor quando pensados na planta, antes de qualquer escolha de mobiliário, porque tentar corrigir a circulação depois costuma exigir comprar peças novas em vez de reaproveitar o que já existe.

Roman Valetsky