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ANÁLISE: Muito mais do que os 12,3 milhões de desempregados
Data Publicação:23/02/2018
A taxa de desemprego recorde de 11,8% do fim do ano passado esconde números muito mais perversos. Além do contingente de 12,3 milhões de desempregados, há outros 14 milhões que trabalham menos do que gostariam. São, ao todo, 26,4 milhões de brasileiros que não conseguem ser aproveitados pelo mercado de trabalho.

E, pela primeira vez, o IBGE mediu o tamanho do desalento: 4,3 milhões de brasileiros simplesmente desistiram. Nem tentam procurar emprego. Ou porque já estavam buscando há muito tempo, sem sucesso. Ou porque são jovens demais, idosos demais ou moram longe demais e sabem que o empregador, com tanta gente concorrendo em condições mais vantajosas, dificilmente lhes dará uma chance.

O desemprego, todos os analistas não cansam de repetir, é o último indicador a reagir quando a economia volta a crescer. Na semana que vem, o IBGE divulgará o resultado do PIB em 2017, e a estimativa é de alta perto de 1%. E, mesmo quando o emprego volta a crescer, muitos dos que deixaram o mercado simplesmente não voltam. As primeiras vagas se abrem para quem é mais “competitivo”: está mais instruído, está disposto a receber menos, tem a idade certa, mora perto do trabalho.

Quanto mais longa uma crise — e a recessão brasileira durou 11 trimestres — mais difícil fica a reinserção de quem perdeu o emprego.

Outra pesquisa do IBGE, também divulgada nesta sexta-feira, reflete os efeitos dramáticos do desemprego. A inflação medida pelo IPCA-15 subiu só 0,38% em fevereiro — no menor resultado para o mês em 18 anos. Todas as famílias sabem: fevereiro é o mês das mensalidades escolares pesarem, e muito, no bolso. Mas, em 2018, pela primeira vez em sete anos, o reajuste das mensalidades ficou abaixo de 6%.

Ou seja, até a educação, que está entre as prioridades das famílias, sofreu com o aperto no orçamento. Muitos trocaram a escola particular pela pública. Ou o colégio caro pelo barato. E as instituições não tiveram outra opção a não ser segurar os reajustes.

O alento é que a educação é um dos itens centrais dos preços dos serviços, que tradicionalmente sobem acima da média da inflação. Este ano, porém, a previsão é que os serviços tenham alta menor, facilitando a manutenção de um patamar de juros baixos pelo Banco Central, o que trará alívio para o orçamento das famílias e, consequentemente, abrirá espaço para o consumo — mantendo, assim, a engrenagem do crescimento econômico que finalmente voltou a funcionar.


Fonte:oglobo.globo.com



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