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  São Paulo
 
Nessa aldeia em São Paulo as crianças são alfabetizadas em guarani
Data Publicação:20/04/2018
Jaqueline chegou a Tekoa Pyau faz dez meses. Saiu de uma escola da prefeitura para atuar como coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Cultura Indígena do Jaraguá. Quem vive entre os prédios de São Paulo não imagina, e quem trafega pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes não pode ver, mas entre as duas, a vinte quilômetros do centro, há uma comunidade indígena, resistência de habitantes milenares dessa terra de Piratininga. Em Tekoa Pyau, “Aldeia de Cima”, está a escola onde crianças indígenas conhecem as letras e começam a escrever em guarani. Jaqueline é uma das únicas “juruá” que trabalham ali – só ela e a nutricionista não são indígenas: “eles têm muito mais a ensinar aos juruá do que o contrário”.

Resistência

Willians é guarani mbya e líder comunitário. Ele participa da direção do CECI e é quem nos recebe para apresentar o centro. “Aqui estamos em um lugar de aprendizagem”, ressalta, “e não de educação, porque quem dá educação somos todos nós, em casa, para nossos filhos. O não-indígena esqueceu isso. Ele manda os filhos para ter educação na escola, mas é o contrário”. A escola tem construção de madeira em estilo indígena e reforçada com paredes de concreto. Chegamos por volta de dez horas quando as crianças saíam da sala de informática. Nas paredes, típicos desenhos infantis e palavras escritas em guarani. Ali elas são alfabetizadas na língua materna. “Isso é resistência: nossas crianças só aprendem o português depois dos 7 anos”.

“As crianças pequenas não entendem português”, confirma Jaqueline. Manter a língua viva é preservar a sabedoria de povos que habitam o Brasil desde muito antes de Cabral. Todos os professores do CECI são guarani e têm a função de, ao mesmo tempo, preparar os curumins para a sequência escolar. “Eles passam coisas básicas, ‘obrigada’, ‘bom dia’, nomes de comidas e animais. Eles comparam o nome em guarani e em português, e como é a escrita dos dois, para terem essa base quando forem para a escola. Eu mesma não entendo guarani, sei falar só coisas que tenho que saber, ‘tudo bem’, ‘vai brincar lá fora’”, se diverte a pedagoga, repetindo a pronúncia desajeitada de juruá.

“Para mim foi muito difícil aprender português”, lembra Willians. “Na época a Funai administrava as escolas nas aldeias. Fazia uma casinha e vinha um professor não indígena para a comunidade. Fui aprendendo a escrever, a falar um pouquinho, mas sempre troquei muitas letras”, conta. “Foi difícil, na época, porque os mais velhos não queriam, havia uma preocupação espiritual, um temor de que se a gente aprendesse o português sairíamos da aldeia e esqueceríamos nossa cultura. Houve uma mobilização de lideranças indígenas, do Brasil inteiro, sobre a importância de aprender português. Hoje temos lideranças que falam bem, levam nossas demandas para Brasília.”

Os quatro filhos de Willians passaram pelo CECI e hoje seguem os estudos, tendo o mais velho concluído o ensino médio. Ele trabalha para que os jovens tenham toda a formação possível, e que não apenas representem a comunidade como alcancem cargos importantes na sociedade. “A Jaqueline está aqui para passar experiência dela, como se organizam as aulas, e a gente torce para que daqui uns anos quem ocupar o cargo dela seja também um indígena, essa é nossa intenção em aprender o português. Ontem fiz uma reunião com um reitor de uma faculdade de Osasco que vai abrir 3 vagas gratuitas para nossos jovens, em direito e administração. Em algumas universidades a gente tem quotas, mas não são específicas, são apenas 100 vagas no Brasil inteiro para indígenas de todas as etnias, e não é em todas as áreas. Tem um jovem em Santa Catarina que quer estudar antropologia, por exemplo, mas não tem quota. Estamos trabalhando com alguma possibilidade de financiar uma bolsa”.

‘Idioma é a menor barreira’

Willians nos mostra como, apesar disso, o idioma é a menor das barreiras. “O mais difícil é a violência. A que nossos antepassados sofreram era de militares chegarem e exterminar uma aldeia. Hoje é extermínio de mau julgamento. A gente vê violência da mídia, como se a gente quisesse viver aqui e não estivesse em nossa terra. A violência jurídica, que é quando aparece um suposto dono e faz uma ação. A violência verbal, a violência espiritual, e não é somente contra os indígenas, vários grupos passam por isso.”


Fonte:Yahoo.com



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