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  Rio de Janeiro
 
Coordenador de diversidade sexual do Rio é alvo de ataque a tiros
Data Publicação:02/04/2018
O coordenador Especial da Diversidade Sexual da prefeitura do Rio, Nélio Georgini da Silva, foi alvo de um ataque a tiros, na tarde deste domingo (1º), na zona norte do Rio.

Nélio teve o carro perseguido após deixar um restaurante onde estava com o marido e familiares. O ataque, segundo o coordenador, ocorreu por volta das 14h30 entre os bairros de Benfica e Rocha.

"Acredito que fomos seguidos do restaurante até o bairro do Rocha, onde fui deixar meus pais em casa", afirmou em comunicado à imprensa.

Nélio também contou que dois suspeitos em uma moto perseguiram o veículo e dispararam ao menos seis tiros. Ninguém se feriu na ação e nenhum tiro atingiu o carro. "Eles estavam usando capacetes e apontaram as armas para o meu carro. Fugimos pela rua Ana Nery quando os motoqueiros emparelharam o carro e [atiraram]", disse.

Pelas redes sociais, o coordenador aproveitou o fato para criticar a intervenção federal na segurança pública do estado.

"Seríamos outros para a estatística de uma cidade roubada, acabada que vive da maquiagem de uma intervenção que até agora nenhuma mosca prendeu! Não há um militar na zona norte!", escreveu.

Nélio informou que vai prestar queixa sobre o crime no 15º DP, na Gávea (zona sul), ainda na manhã desta segunda-feira (2).

Filiado ao PRB, mesmo partido do prefeito Marcelo Crivella, Georgini é evangélico da igreja presbiteriana, homossexual e militante na área de educação. Casado há oito anos com o bancário Ronie Adams, assumiu a coordenação da Diversidade Sexual do Rio em janeiro de 2017.

VIOLÊNCIA NO RIO

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado.

Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.

A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente neste ano, 31 PMs foram assassinados no Estado -foram 134 em 2017. Policiais, porém, também estão matando mais.

Após uma queda de 2007 a 2013, o número de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial está de volta a patamares anteriores à gestão de José Mariano Beltrame na Secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.

Em meio à crise, a política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu -estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, o número de confrontos entre grupos criminosos aumentou. Com a escalada nos índices de violência, o presidente Michel Temer (MDB) decretou a intervenção federal na segurança pública do Estado, medida aprovada pelo Congresso e que conta com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, também do MDB.

Temer nomeou como interventor o general do Exército Walter Braga Netto. Ele, na prática, é o chefe das forças de segurança do Estado, como se acumulasse o comando da Secretaria da Segurança Pública e a de Administração Penitenciária, com PM, Civil, bombeiros e agentes carcerários sob o seu comando.

Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros Estados com patamares ainda piores. No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo.



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